OFICINA DE TEATRO REGIUS BRANDÃO
A Ariane Mnouchkine costuma dizer que tudo vem do outro. Eu
acredito nisso como uma das poucas coisas essenciais que descobri realmente na
prática nestes quarenta anos de carreira como ator, diretor e
professor. Vem do outro tudo aquilo que
um ator cria em cena! Mas é preciso entender a amplitude e a profundidade “deste
outro”. É preciso compreender, antes de mais nada , o ator como aquele que “recebe”
É
preciso compreender inclusive que eu posso pensar nisso quando estiver somente eu em cena. Onde está este outro neste momento, quando este não é clara e objetivamente para
mim o outro ator? O autor pode ser este outro?
A plateia pode estar no lugar deste outro? Sua memória, sua fé?
O caminho para encontrar estas respostas começa pela
sensibilidade muito mais do que pela imaginação. Estar disponível para receber implica em
estar vivo e presente não só no espaço como no tempo.
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